Comunidade & Missão

Concílio Vaticano II:50 anos de Evangelização

No dia 25 de dezembro, a Igreja celebrarou os cinquenta anos da convocação do Concílio Vaticano II

 um artigo esclarecedor sobre algumas questões a respeito dos concílios, principalmente, sobre o Concílio Vaticano II.

– Que é um concílio?

Concílio é a assembleia de todos os Bispos do mundo ou de uma representação dos Bispos do mundo inteiro que, em comunhão com o Bispo de Roma e Sucessor de Pedro, procura esclarecer questões de fé, de moral ou da vida prática da Igreja. Os concílios são momentos fortes e importantíssimos para a vida de toda a comunidade dos discípulos de Cristo.

– Qual foi o primeiro concílio?

Em certo sentido, um primeiro encontro assim se deu em Jerusalém, na época dos Apóstolos, para decidir uma grave questão: os pagãos que se convertessem ao Cristianismo precisavam ou não cumprir a Lei de Moisés e o Antigo Testamento. A resposta foi: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós dispensar os cristãos de cumprirem os preceitos do Antigo Testamento” (cf. At 15,1-35).

– Quantos concílios já ocorreram na história da Igreja?

Ao longo da história da Igreja ocorreram ao todo vinte e um concílios ecumênicos.

– O que significa concílio ecumênico?

“Ecumênico” aqui não significa que seja uma reunião com outras religiões. Ecumênico significa apenas que o concílio vale para toda a Igreja; isso para distinguir dos concílios regionais ou nacionais, com Bispos só de uma região ou de um país. Os concílios ecumênicos têm, pois, autoridade sobre toda a Igreja de Cristo, pois aí está reunido o Colégio dos Bispos juntamente com o Papa, como o Colégio dos Apóstolos juntamente com Pedro. A fé nos ensina que os participantes de um concílio gozam de especial assistência do Espírito Santo: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós […]” (At 15,28).

– Por que, quando e quais pensamentos moveram o beato João XXIII a convocar o Concílio Vaticano II?

O Papa convocou o Concílio Vaticano II em 25 de dezembro de 1961, este que foi solenemente aberto por ele em 11 de outubro de 1962 e encerrado pelo Santo Padre Paulo VI em 8 de dezembro de 1965. O Sumo Pontífice considerava que estávamos entrando num período grave da história humana: “A Igreja assiste, hoje, a uma crise que aflige gravemente a sociedade humana. Obrigações de gravidade e de amplitude imensas pesam sobre a Igreja”, afirmava o Papa na Constituição Apostólica “Divino Redentor”, que convocou o concílio. O grande problema que ele via era que “a sociedade moderna caracteriza-se por um grande progresso material ao qual não corresponde igual progresso no campo moral. Daí o impulso para a procura quase exclusiva dos gozos terrenos, que o avanço da técnica põe, com tanta facilidade, ao alcance de todos”. O Pontífice nem imaginava o quanto isso iria se agravar! Mas ele não era pessimista: via “sinais dos tempos” positivos e prometedores: a Igreja não estava sofrendo perseguição (somente nos países comunistas), depois da II Guerra Mundial, havia um desejo de paz, solidariedade e entendimento entre as nações e um maior desejo de união entre os cristãos. Ele pensava que os meios tecnológicos iriam ajudar a Igreja a difundir melhor o Evangelho e, finalmente, julgava que o mundo estaria mais aberto para dialogar com a Igreja. O Santo Padre sempre deixou claro que este novo concílio deveria sempre estar em continuidade com os outros vinte anteriores e deveria ser fiel à Tradição e à fé perene da Igreja de Cristo. E não poderia ser de outro modo. Escutemo-lo no discurso de abertura do Concílio: “É bem natural que, inaugurando o Concílio Ecumênico, nos apraza contemplar o passado, para ir recolher, por assim dizer, as vozes, cujo eco animador queremos tornar a ouvir na recordação e nos méritos, tanto dos mais antigos como também dos mais recentes Pontífices, nossos predecessores: vozes solenes e venerandas, elevadas no Oriente e no Ocidente, desde o século IV até à Idade Média, e desde então até aos nossos dias, que transmitiram desde aqueles Concílios o seu testemunho; vozes a aclamarem em perenidade de fervor o triunfo da instituição divina e humana, a Igreja de Cristo, que recebe d’Ele o nome, a graça e o significado”. Seu desejo era que a Igreja anunciasse a verdade de Cristo integralmente: “O grande problema, proposto ao mundo, depois de quase dois milênios, continua o mesmo. Cristo sempre a brilhar no centro da história e da vida; os homens ou estão com Ele e com a sua Igreja, e então gozam da luz, da bondade, da ordem e da paz; ou estão sem Ele, ou contra Ele e deliberadamente contra a sua Igreja: tornam-se motivo de confusão, causando aspereza nas relações humanas, e perigos contínuos de guerras fratricidas”.

– Qual era o objetivo do Papa?

O Papa João XXIII desejava muito que, com o concílio, a Igreja encontrasse um modo mais atual de apresentar ao mundo a verdade de sempre. Nada de mudar a doutrina e a moral, nada de amolecer o Evangelho, mas apresentá-lo de um modo mais compreensível ao mundo de hoje: “O que mais importa ao Concílio Ecumênico é o seguinte: que o depósito sagrado da doutrina cristã seja guardado e ensinado de forma mais eficaz. Essa doutrina abarca o homem inteiro, composto de alma e corpo, e a nós, peregrinos nesta terra, manda-nos tender para a pátria celeste”. Sua Santidade recordava, então, o dever da Igreja de empenhar-se em incentivar a humanidade nas suas tarefas tanto individuais quanto sociais, mas recordava que “é necessário primeiramente que a Igreja não se aparte do patrimônio sagrado da verdade, recebido dos seus maiores; e ao mesmo tempo, deve também olhar para o presente, para as novas condições e formas de vida introduzidas no mundo hodierno, que abriram novos caminhos para o apostolado católico”. Finalmente, o Papa esperava que o concílio tivesse uma preocupação, sobretudo, pastoral, uma preocupação de fazer o possível para promover a compreensão entre os cristãos separados da Igreja Católica e que usasse mais “o remédio da misericórdia do que o da severidade”. Foram esses os objetivos de João XXIII. Ele morreu logo. Quem continuou o Concílio Ecumênico foi o Santo Padre Paulo VI. Para facilitar o seu andamento, o novo Papa organizou assim as discussões: o tema central do concílio deveria ser a Igreja. Primeiro: o que é a Igreja? Segundo: qual a sua relação com o mundo atual? Daí surgiram os principais documentos conciliares: a Lumen Gentium (o que é a Igreja?), a Dei Verbum (como Deus se revelou e como a Igreja guarda essa revelação?), a Sacrosanctum Concilium (como a Igreja celebra o mistério de Cristo?) e a Gaudium et Spes (como a Igreja se coloca no mundo?).

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